{resenha} escuridão total sem estrelas

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Foto: Arquivo Pessoal

Escolhi como primeiro post desse blog o livro Escuridão Total Sem Estrelas, do Stephen King. Este foi um dos últimos livros do autor que li (o último mesmo foi Achados e Perdidos, mas quero falar sobre ele quando terminar a trilogia).

Primeiramente, acho importante destacar o quanto o livro em si é lindo. Para fazer jus ao nome, ele é todo em preto (inclusive a parte de fora das páginas) com o escrito em cinza na capa. Mas, enfim, estou aqui para falar do conteúdo.

A publicação contém quatro contos que se passam em contextos diferentes, mas que possuem um ponto de convergência: seus personagens se encontram, em determinado momento da história, em total escuridão ao tomar certas atitudes.

1922. Wilfred precisa lidar com a sua escuridão de manter ou não a sua mulher viva – e claro que essa escolha pode assombrá-lo pelo resto da vida. O texto é interessante e me prendeu facilmente. Em alguns momentos, senti a angústia do personagem e seu filho, Hank. Inclusive, a descrição de uma das cenas (onde um rato morte a teta da vaca e puxa como se fosse um chiclete) me causou até um certo mal-estar (um poder frequente do SK).

“Mais cedo ou mais tarde, até mesmo os mais sólidos dos caixões acaba se rompendo e deixando a vida entrar para se alimentar da morte. É assim que o mundo funciona, e o que importa? Quando o coração para e o cérebro deixa de funcionar, nosso espírito vai para outro lugar ou simplesmente desaparece. De um jeito ou de outro, não estamos lá para sentir as mordidas quando roem as carnes dos nossos ossos”, p. 40

Gigante do Volante. Outro conto de peso e com uma temática para embrulhar qualquer estômago. Ele conta a história de Tess, uma escritora de livros que é estuprada. A sua escuridão é encontrar um lado vingativo dentro dela que não conhecia. Pode ser que algumas pessoas não consigam ler por ter cenas bem difíceis, principalmente para a realidade que vivemos. O que achei interessante é que a Tess é sempre bate na tecla de que, se o acontecimento for parar nas páginas dos jornais, a culpa vai cair nela. Algo que sabemos acontecer.

“Mulheres em todos os cantos do mundo estão sendo estupradas enquanto falamos. Meninas também. Algumas que, sem dúvida, possuem bichinhos de pelúcia preferidos. Algumas são mortas, outras sobrevivem. Das que sobrevivem, quantas você acha você acha que denunciam o que aconteceu?”, p. 263

Extensão Justa. Este foi o conto que menos me prendeu. Ele é mais curto do que os outros e fala sobre Dave Streeter, um cara com câncer terminal e que “encontra” a sua escuridão ao fazer um pacto com um cara desconhecido – e para que ele consiga tudo o que almeja, alguém tem que pagar por isso de uma forma bem ruim.

“Bem, o câncer não discriminava ninguém em relação ao cérebro. Inteligente ou burro, ele estava prestes a partir desta para uma melhor”, p. 268.

O Bom Casamento. Tenho que confessar que este conto me deixou nervosa em alguns momentos. Stephen King toca na questão de que nem sempre nós conhecemos as pessoas com as quais convivemos, mesmo que ela seja seu marido de anos, como o caso da Darcy Anderson. O momento de escuridão da mulher é investigar o que ela acha que descobriu e lidar com as consequência, ou fingir que nada aconteceu e viver pra sempre com a dúvida.

“Um casamento era como uma casa em constante construção: a cada ano havia mais e mais cômodos. Um casamento de um ano era como uma cabana; um que já durava 27 anos era uma mansão imensa e complexa. Com certeza haveria rachaduras e alguns lugares para guardar coisas, a maioria deles empoeirada e abandonada, alguns contendo lembranças desagradáveis que você preferiria não ter encontrado. Mas isso não era nada de mais. Ou você jogava essas lembranças fora ou doava para caridade”, p. 315.

Escuridão Total Sem Estrelas realmente me conquistou! É um ótimo livro e aborda temáticas bem tensas. Antes de terminar, acho legal comentar que Stephen King, que adora colocar elementos de suas outras histórias em suas histórias, cita Shawshank em uma das histórias (lembra Um Sonho de Liberdade?). No final ele também conta como se inspirou pra escrever cada conto.

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